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27 de abril de 2022

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รlvares de Azevedo
Nascimento12 de setembro de 1831
Sรฃo Paulo, Sรฃo Paulo, Impรฉrio do Brasil
Morte25 de abril de 1852 (20 anos)
Rio de Janeiro, Impรฉrio do Brasil
Nacionalidadebrasileiro
OcupaรงรฃoEscritor, contista e poeta
Movimento literรกrio:Romantismo 
Manoel Antรดnio รlvares de Azevedo (Sรฃo Paulo, Provรญncia de Sรฃo Paulo, Impรฉrio do Brasil, 12 de setembro de 1831 — Rio de Janeiro, Impรฉrio do Brasil, 25 de abril de 1852), conhecido tambรฉm como "Maneco" pelos amigos mais prรณximos, familiares e admiradores de sua obra, foi um escritor da segunda geraรงรฃo romรขntica (UltrarromรขnticaByroniana ou Mal-do-sรฉculo), contista, dramaturgo, poeta, ensaรญsta e e expoente da literatura gรณtica brasileira, autor de Noite na Taverna. As obras de รlvares de Azevedo tendem a jogar fortemente com as noรงรตes opostas, como amor e morte, sentimentalismo e pessimismo, platonismo e sarcasmo, sendo influenciado por Musset, Chateaubriand, Lamartine, Goethe e, principalmente, Byron.
Biografia

Filho de Inรกcio Manoel รlvares de Azevedo e Maria Luรญsa Silveira da Motta Azevedo, passou a infรขncia no Rio de Janeiro, onde iniciou seus estudos. Voltou a Sรฃo Paulo, em 1847, para estudar na Faculdade de Direito do Largo de Sรฃo Francisco, onde, desde logo, ganhou fama por brilhantes e precoces produรงรตes literรกrias. Destacou-se pela facilidade de aprender lรญnguas e pelo espรญrito jovial e sentimental.

Durante o curso de Direito traduziu o quinto ato de Otelo, de Shakespeare; traduziu Parisina, de Lord Byron; fundou a revista da Sociedade Ensaio Filosรณfico Paulistano (1849); fez parte da Sociedade Epicureia; e iniciou o poema รฉpico O Conde Lopo, do qual sรณ restaram fragmentos.

Nรฃo concluiu o curso, pois foi acometido de uma tuberculose pulmonar nas fรฉrias de 1851-52, a qual foi agravada por um tumor na fossa ilรญaca, ocasionado por uma queda de cavalo, falecendo aos 20 anos. No entanto, vale ressalva, a causa mortis do autor รฉ um tema historicamente controverso, com diferentes hipรณteses.

A sua obra compreende: Poesias diversasPoema do Frade, o drama Macรกrio, o romance O Livro de Fra GondicรกrioNoite na TavernaCartas, vรกrios Ensaios (incluindo "Literatura e civilizaรงรฃo em Portugal", "Lucano", "George Sand" e "Jacques Rolla") e Lira dos vinte anos

Suas principais influรชncias sรฃo: Goethe, Franรงois-Renรฉ de Chateaubriand, mas principalmente Alfred de Musset.

Figura no cรขnone da poesia brasileira. Foi muito lido atรฉ as duas primeiras dรฉcadas do sรฉculo XX, com constantes reediรงรตes de sua poesia e antologias. As รบltimas encenaรงรตes de seu drama Macรกrio foram em 1994 e 2001. ร‰ patrono da cadeira 2 da Academia Brasileira de Letras.

Lira dos Vinte Anos

รlvares de Azevedo.
Lira dos Vinte Anos (inicialmente planejada para ser publicada num projeto — As Trรชs Liras — em conjunto com Aureliano Lessa e Bernardo Guimarรฃes). รฉ o tรญtulo da principal obra do autor.
ร‰ evidente a explicitaรงรฃo de รlvares de Azevedo na postura consciente do fazer poรฉtico, afinal em seus prefรกcios hรก um alto grau de conhecimento quanto ร  proposta ultrarromรขntica, a qual exibe um certo metarromantismo marcada pelo senso crรญtico.
ร‰, provavelmente, o primeiro a incorporar o cotidiano na poesia no Brasil, com o poema Ideias รญntimas, da segunda parte da Lira. O autor de Lira dos Vinte Anos estabelece valores e critรฉrios a sua obra. Revela-se, assim, uma verdadeira teorizaรงรฃo programada.
No segundo prefรกcio de Lira dos Vinte Anos, o seu autor nos revela a sua intencionalidade e o vincula de tal maneira ao texto poรฉtico, que a gratuidade e autonomia perde espaรงo e revela a intencionalidade do poeta, isto รฉ, explicaรงรฃo de temas, motivos e outros elementos.
Um aspecto caracterรญstico de sua obra e que tem estimulado mais discussรฃo diz respeito ร  sua poรฉtica, que ele mesmo definiu como uma "binomia", que consiste em aproximar extremos, numa atitude tipicamente romรขntica. ร‰ importante salientar o "Prefรกcio" ร  "Segunda parte" de Lira dos Vinte Anos, um dos pontos crรญticos de sua obra e na qual define toda a sua poรฉtica.
Machado de Assis publicou na coluna “Semana Literรกria” do jornal Diรกrio do Rio de Janeiro de 26 de junho de 1866 uma anรกlise da Lira dos vinte anos. Ali escreveu: “รlvares de Azevedo era realmente um grande talento; sรณ lhe faltou o tempo, como disse um dos seus necrรณlogos. [...] Era daqueles que o berรงo vota ร  imortalidade. Compare-se a idade com que morreu aos trabalhos que deixou, e ver-se-รก que seiva poderosa nรฃo existia naquela organizaรงรฃo rara.” “Em tรฃo curta idade, o poeta da Lira dos vinte anos deixou documentos valiosรญssimos de um talento robusto e de uma imaginaรงรฃo vigorosa. Avalie-se por aรญ o que viria a ser quando tivesse desenvolvido todos os seus recursos”.
O crรญtico literรกrio portuguรชs Lopes de Mendonรงa, num perfil literรกrio de รlvares de Azevedo, escreve: “O jovem poeta nรฃo cantava somente para as turbas que se deixassem comover pela harmonia de seus cantos; cantava porque lhe ardia no peito um fogo devorador, porque a sua alma รฉbria, e palpitante, lhe acendia a imaginaรงรฃo, e como lhe intimava, que traduzisse aos outros, a magia dos seus sonhos, o fervor dos seus desejos, o esplรชndido irradiar da sua esperanรงa”.
O jornal niteroiense A Pรกtria de 16 de maio de 1856, numa “Meditaรงรฃo aos ossos do poeta รlvares de Azevedo”, afirma que “aquele crรขnio foi um livro de versos sublimes como os de Byron, foi uma pรกgina divina de Shakespeare; foi um raio da inteligรชncia de Homero; aquele crรขnio guardava um cรฉrebro cheio como o de Camรตes, e constituiu uma cabeรงa que merecia uma coroa, como a que Tasso teve no Capitรณlio!”.
Atualmente, a literatura de รlvares de Azevedo tem suscitado alguns estudos acadรชmicos, dos quais sublinham-se "O Belo e o Disforme", de Cilaine Alves Cunha (EDUSP, 2000), e "Entusiasmo indianista e ironia byroniana" (Tese de Doutorado, USP, 2000); "O poeta leitor. Um estudo das epรญgrafes hugoanas em รlvares de Azevedo", de Maria C. R. Alves (Dissertaรงรฃo de Mestrado, USP, 1999); "รlvares de Azevedo: A busca de uma literatura consciente", de Gilmar Tenorio Santini (Dissertaรงรฃo de Mestrado, UNESP, 2007); "Uma lira de duas cordas", de Rafael Fava Belรบzio (Scriptum, 2015).
O crรญtico literรกrio Alexei Bueno faz uma interessante observaรงรฃo sobre a "caracterรญstica quase esquizoide da alma de รlvares de Azevedo", a dissociaรงรฃo entre sua obra "onde nรฃo faltam bebedeiras e orgias altamente byronianas" e sua vida pacata de "excelente e responsabilรญssimo aluno, de enorme afeiรงรฃo familiar e provavelmente bastante casto". Essa mesma polarizaรงรฃo รฉ problematizada em "Uma lira de duas cordas", obra que faz uma inovadora leitura da recepรงรฃo crรญtica do poeta.
Trabalhos

Devido a sua morte prematura, todos os trabalhos de รlvares de Azevedo foram publicados postumamente.

  • Lira dos Vinte Anos (1853, antologia poรฉtica);
  • Macรกrio (1855, peรงa de teatro);
  • Noite na Taverna (1855, contos);
  • O Conde Lopo (Juarรฉz Cavalcante)

รlvares de Azevedo tambรฉm escreveu muitas cartas e ensaios e traduziu para o portuguรชs o poema Parisina, de Lorde Byron, e o quinto ato de Otelo, de William Shakespeare.

Cronologia
Homenagem ao poeta pelo Centro Acadรชmico XI de Agosto, da Faculdade de Direito da USP, no Largo Sรฃo Francisco.
  • 1831, 12 de setembro – Nascido em Sรฃo Paulo, na esquina da rua da Feira com a rua Cruz Preta, atuais Senador Feijรณ e Quintino Bocaiuva.
  • 1831 – Transfere-se para o Rio de Janeiro.
  • 1835 – Morre a 26 de junho seu irmรฃo mais novo, Inรกcio Manoel, em Niterรณi, ainda bebรช, com menos de dois anos, deixando o futuro poeta profundamente abalado.
  • 1840 – ร‰ matriculado no Colรฉgio Stoll, em Botafogo. Seu desempenho rende elogios do proprietรกrio do colรฉgio, o Dr. Stoll: "Ele reรบne, o que รฉ muito raro, a maior inocรชncia de costumes ร  mais vasta capacidade intelectual que jรก encontrei na Amรฉrica num menino da sua idade".
  • 1844 – Transfere-se para Sรฃo Paulo, apรณs estudos de francรชs, inglรชs e latim volta para o Rio no fim do ano.
  • 1845 – Matricula-se no 5ยบ ano do internato do Colรฉgio Pedro II, no Rio, onde muito sofreu, devido ao gรชnio folgazรฃo, que o levava a caricaturar colegas e professores.
  • 1846 – Cursa o 6ยบ ano no mesmo colรฉgio, tendo como professor Domingos Josรฉ Gonรงalves de Magalhรฃes.
  • 1847 – Recebe, a 5 de dezembro, o grau de bacharel em Letras.
  • 1848 – Ingressa, a 1 de marรงo na Faculdade de Direito de Sรฃo Paulo, onde conhece, entre outros, Josรฉ de Alencar e Bernardo Guimarรฃes.
  • 1849 – Matricula-se no 2ยบ ano. Pronuncia um discurso a 11 de agosto, na sessรฃo comemorativa do aniversรกrio da criaรงรฃo dos cursos jurรญdicos no Brasil. Passa as fรฉrias no Rio, com constantes pensamentos de morte.
  • 1850 – Escreve um romance de 200 e tantas pรกginas, dois poemas, um em 5 e outro em 2 cantos, ensaios, fragmento de poema em linguagem muito antiga (hoje perdido). A 9 de maio, profere o discurso inaugural da sociedade "Ensaio Filosรณfico". De volta a Sรฃo Paulo, matricula-se no 3ยบ ano. Em setembro, suicida-se, por amor, o quintanista Feliciano Coelho Duarte, o poeta faz, a 12 do mesmo mรชs, o discurso de adeus.
  • 1851 – Cursa o 4ยบ ano. Em 15 de setembro, morre Joรฃo Batista da Silva Pereira. Passa as fรฉrias em Itaboraรญ, na fazenda do avรด.
  • 1852, 25 de abril – Apรณs complicaรงรตes advindas de uma queda de cavalo, no municรญpio de Itaboraรญ, no trajeto de Visconde para Porto das Caixas, cria-se um tumor na fossa ilรญaca que tentou ser retirado segundo alguns biรณlogos sem anestesia, a ferida infecciona e apรณs 40 dias de febre alta falece, ร s 17 horas no Rio de Janeiro em casa. ร‰ enterrado no dia seguinte, num cemitรฉrio na praia vermelha na zona sul do Rio de Janeiro que mais tarde viria a ser destruรญdo pelo mar em ressaca. Segundo biรณgrafos seu cachorro teria encontrado seus restos mortais. Hoje estรก sepultado no Cemitรฉrio de Sรฃo Joรฃo Batista, no Rio de Janeiro, num mausolรฉu da famรญlia perto dos tรบmulos de Floriano Peixoto e outros grandes nomes do final do sรฉc. XIX — tendo sido o dรฉcimo segundo a ser sepultado nesse cemitรฉrio inaugurado em 1854, como consta da primeira pรกgina de seu livro de registros.
Tรบmulo do poeta รlvares de Azevedo (lรกpide)
Obras
  • 1853 Poesias de Manoel Antรดnio รlvares de Azevedo'Lira dos Vinte Anos e Poesias diversas;
  • 1855 Obras de Manoel Antรดnio รlvares de Azevedo, primeira publicaรงรฃo da sua prosa (Noite na Taverna);
  • 1862 Obras de Manoel Antรดnio รlvares de Azevedo, 2ยช e 3ยช ediรงรตes, primeira apariรงรฃo do Poema do Frade e "Terceira parte" da Lira.
  • 1866 O Conde Lopo, poema inรฉdito.
Merece um destaque especial a Lira dos Vinte Anos, composta de diversos poemas. A Lira รฉ dividida em trรชs partes, sendo a primeira e a terceira da Face Ariel e a segunda da Face Caliban. A Face Ariel mostra, supostamente, um รlvares de Azevedo ingรชnuo, casto e inocente. Jรก a Face Caliban apresenta poemas irรดnicos e sarcรกsticos.
Fonte: Wikipedia